Em Destaque: uma boa semi-biografia.
...E O Oscar Foi Para...
Ed. 004
“Matemáticos venceram a guerra; matemáticos decifraram códigos japoneses e construíram a bomba A...”.
“... Se formos todos atrás da loira, bloquearemos uns aos outros, e nenhum de nós ficará com ela. Então iremos atrás das amigas dela. Se ninguém for atrás da loira, não obstruiremos um ao outro e não insultaremos as outras. Essa é a única forma de vencermos. ou seja: o melhor resultado virá quando todos do grupo fizerem o melhor para si e para o grupo.”
“Imagine, de repente, descobrir que as pessoas, os lugares e os momentos mais importantes para você não se foram, nem morreram, mas pior: nunca aconteceram.”
Uma Mente Brilhante
Todos recomendam dissertar sobre uma fita sem entregar detalhes do final. Difícil falar sobre Uma Mente Brilhante sem comentar sobre seu clímax, aqui, inserido na metade da trama. É provável que esse seja o mais bem elaborado trabalho do ex-ator e corretinho Ron Howard (Apolo 13). Também da-se a inpressão de ser um longa produzido meticulosamente com o intuito de ganhar prêmios – tarefa cumprida com louvores, por sinal. Mesmo concorrendo com longas visivelmente superiores (O Senhor dos Anéis, Moulin Rouge), a fita da duradoura dupla Ron Howard/Brian Grazer, conseguiu arrebatar o premio principal da academia em 2001.
Dividido em dois atos, Uma Mente Brilhante narra a curiosa historia do matemático John Forbes Nash Jr. (Russel Crowe, excelente). Na primeira parte, acompanhamos o dia a dia do doutorando de Princeton: a estreita relação com os colegas de classe; a busca por uma formula inovadora no campo econômico – essa, descoberta ao misturar a teoria de Adam Smith (“Numa competição, a ambição individual serve ao bem comum”) com um grupo de garotas; a indicação para um cargo de grande importância no Pentágono em plena Guerra Fria; e principalmente, sua conturbada relação com Alice Lopez, uma ex- aluna que futuramente se tornaria sua esposa. No segundo ato, descobrimos o que há por trás da convocação do personagem principal para uma tarefa de altíssima periculosidade, quando nomeado para decifrar coordenadas geográficas ao serviço secreto estadunidense.
O que mais chama a atenção no roteiro é o paradoxo acerca das Dinâmicas Governamentais proposta por Nash (“A vitória vem da junção do bem estar comum, assim como do grupo”), uma tese magnífica, mas que o próprio não conseguia colocar em pratica em seu dia-a-dia. A solidão e o perfeccionismo o levariam a uma “realidade alternativa”, regada a perseguições paranóicas e conversar com um “amigo” de pensão. “O pesadelo da esquizofrenia é não saber o que é verdadeiro”, dizia um “espião russo”, interpretado por Christopher Plummer.
Com uma excelente reconstituição de época, atuações sublimes – vide Jennifer Connely, laureada com um Oscar de coadjuvante, interpretando a sofrida e perseverante esposa de Nash -, uma trama feita com o cuidado necessário (esconderam a suposta bissexualidade do verdadeiro John Nash), Uma Mente Brilhante, mesmo não memorável, nos dá a oportunidade de conhecer uma das figuras mais intrigantes do seculo passado. Vale mais de uma conferida.
Nota: 8.0
Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind, 2001). Dir: Ron Howard.
Com: Russel Crowe, Jennifer Connely, Paul Bettany, Ed Harris, Josh Lucas, Adam Goldberg e Christopher Plummer.
Ficha do Filme no IMDB
aqui.
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Volto em uma nova oportunidade para comentar sobre mais um vencedor do Oscar. Uma excelente semana a todos e até mais.
Várzea Grande-MT. 25 de outubro de 2009. 11:47am.
Mais um post (in)útil.