terça-feira, 13 de julho de 2010

Crítica do divertido Shrek para Sempre

Bom e Descartável

Ed. 017


Shrek para Sempre (Shrek Forever After, 2010), do diretor Mike Mitchell.



Quando chegar dezembro de 2010, diversos cinéfilos blogueiros lotarão a rede com listinhas dos melhores personagens da década. Será bastante natural encontrar o gro Shrek entre os três primeiros lugares, até porque pouquíssimas figuras dos cines encarnaram com excelência o lema “quem vê cara não vê coração”. Após os dois primeiros espetaculares filmes e uma terceira parte bem fraquinha, para Shrek para Sempre, a Dreamworks apostou alto nos efeitos 3D no intuito de explorar o potencial de aventura, corrigindo algumas características de Shrek Terceiro (o amontoado de piadinhas sem-graça). E não é que deu certo?



No quarto episódio, o personagem-título conclui que está deixando para trás a personalidade bestial de tempos passados. Bem casado com Fiona e pai de três ogrinhos, Shrek, mesmo com o total apoio da família e amigos, guarda em si ressentimentos pela nova vida cheia de obrigações (as angústias dele lembram homens em crise de meia-idade). Em um dia muito agitado, Shrek hostiliza vários convidados pessoais; mesclando vergonha e frustração, o ogro acaba saindo do local e logo após, aceita o convite de um feiticeiro charlatão chamado Rumplestiltskin. Entre uns goles e assados de rato, Shrek, meio sem pensar, assina um documento acreditando que passará um dia nos moldes de um genuíno ogro: banhando na lama, sozinho e é claro, apavorando aldeias. Durante o “passeio”, Shrek nota que o visual de casa ficou diferente. Mas o susto maior vem com várias constatações: nenhum de seus antigos colegas o conhecem; o tal feiticeiro tornou-se o rei de Tão Tão Distante (algo quase conquistado por ele na versão normal do tempo, não fosse um certo ogro); e Fiona, que nunca o conheceu, é líder militar de uma “centúria” de ogros (nessa opção distorcida da historia, nenhum príncipe encantado a salvou). Cabe a Shrek encontrar rápido um meio de convencer o Burro, Fiona e o Gato de Botas (o melhor dos personagens modificados) de que veio de uma versão paralela da realidade, alem é claro, anular o tal contrato feito com Rumple.




Mencionado em todos os trailers como o último capítulo, Shrek para Sempre finaliza as aventuras do memorável herói de maneira correta, mas nunca decepcionante. Pode até ser que o alicerce do enredo seja algo um tanto batido (assistam A Felicidade não se Compra para melhor compreender o estilo) ou que os personagens e piadas já não tenham o mesmo frescor (nas novas inserções, ponto a mais para o flautista mágico e menos ao fraquíssimo vilão, cujo nome é quase impronunciável). Entretanto, o apuro visual do longa – todos os cenários, realçados em 3D são magníficos –, junto com o ritmo sempre incessante da trama (as cenas de ação são as melhores da série) creditam força e dignidade a saga do ogro. Um descanso para ele nesse momento é ótima pedida.









Nota: 7.5

Trailer completo:




Elenco completo e outras informações técnicas do filme, clicando aqui.
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