terça-feira, 12 de outubro de 2010

Critica do excelente Tropa de Elite 2

Tropa de Elite 2: Agora o Inimigo é Outro (BRA, 2010)

Não é de espantar os números iniciais de Tropa de Elite 2: com mais de 1,259 milhão de ingressos vendidos nos três primeiros dias de exibição (a tiragem de cópias também é recorde: mais de 700), o explosivo, tenso, polêmico e inteligente longa do talentoso José Padilha (Ônibus 174; Tropa de Elite; ...) melhora – e muito – alguns elementos apresentados na obra de 2007, considerada por muitos como propagandista e fascista.

Assim como o sucesso anterior, Tropa 2 tem um roteiro organizado parcialmente em flashbacks. Antes de sabermos o desfecho da tocaia armada para trucidar o cel. Nascimento (Wagner Moura), voltamos alguns anos, quando o mesmo, ainda capitão, tenta dar fim a uma rebelião no presídio Bangu I (Beirada, o líder do motim é interpretado por Seu Jorge). Mesmo com várias mortes na operação, Roberto Nascimento é aplaudido por populares (“para a sociedade, bandido bom é bandido morto...” diz ele) e, posteriormente, nomeado para um alto cargo na secretaria de segurança pública. Disposto a deixar os problemas familiares de lado (o marido da ex-mulher chama-se Fraga, um professor universitário, militante dos direitos humanos, que em pouco tempo, consegue o cargo de deputado estadual), o cel. decide equipar o BOPE (batalhão de operações especiais) maciçamente, com direito a blindados, helicópteros e multiplicação dos “caveiras”. Com o passar do tempo, Nascimento, ao mesmo tempo que tenta reaver a confiança do filho – agora adolescente –,percebe que o crime organizado mudou de cara: ao invés de traficantes, quem dá as ordens é a milicia, composta por policiais corruptos, com o consentimento de políticos do mais alto escalão do governo carioca.. Consciente da gravidade dos fatos, em um momento decisivo, o personagem principal aceita a ajuda do “inimigo” Fraga (Irandhir Santos), também interessado em combater a corrupção.

Surpreendendo a todos, o ótimo enredo assinado por José Padilha e Bráulio Mantovani deixa de lado elementos que garantiam uma face caricatural a produção: saem os jargões populares, violenta exacerbada (porém condizente) e glorificações ao BOPE, entra o retrato da putrefação da política de segurança pública. Antes um personagem de gosto duvidoso, agora o ex-capitão Nascimento (Wagner Moura, mais uma vez surpreendente) compreende que é necessário muito mais que “punheteiras”, xingamentos e tapas para findar o caos urbano. Não faltam cenas barulhentas e pesadas, para alegria dos sem-noção de plantão. Entretanto, a grande vitória da fita é representar e DENUNCIAR através de um enredo “fictício”, os bastidores de homens-da-lei que se auto-proclamam a favor dos indefesos. A dinâmica entre Nascimento e Fraga lembra por vezes Magneto e Xavier (X-Men). Ambos são idealistas e tem os mesmos objetivos: o método para solucioná-los é o fator que os afasta em certos momentos. Grande Cel. Nascimento. Grande Dep. Fraga. Grandioso filme!

 

 



Nota: 10.00

Trailer final:




Ficha técnica e outras informações sobre o filme clicando aqui.

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