sexta-feira, 24 de junho de 2011

Um erro histórico no filme 300, de Zack Snyder

Após fazer algumas leituras sobre a pólis Esparta (atual Grécia) e revendo o filme 300 (2006), percebi um erro (ou seria uma liberdade artística, já que é muito comum) acerca do filme de Zack Snyder, baseado em uma graphic novel de Frank Miller.. Em um trecho, os 300 espartanos, liderados pelo rei Leônidas (Gerald Butler) se encontram com alguns Periecos as vésperas da Batalha das Termópilas (Guerras Médicas, 480 a.C). Vejam o encontro no clipe abaixo:


Versão em inglês aqui


Segundo o texto Economia e Sociedade na Grécia Antiga, o historiador Moses Finley afirma que os Periecos (ou perioikoi) eram recrutados pelos espartanos quando surgia alguma guerra. Os Periecos eram descendentes dos antigos habitantes da península do Peloponeso, e que foram subjugados pelos invasores Dórios. Para que o agoge (educação espartana) funcionasse as mil maravilhas (traduzindo: os espartanos não tinham outra obrigação senão serem educados para a guerra), os Periecos, apesar de não serem escravos, tinham de fazer todas as outras tarefas da pólis (comércio, artesanato e afins – fato mostrado no diálogo). Os espartanos diziam serem descendentes desses povos invasores – daí o caráter militarista e marcial deles. Ou seja, é bem difícil levar em consideração o papo de os periecos mostrados no filme terem sido voluntários de “boa vontade” dos 300 espartanos.

Contudo, ainda que não fique claro no filme quem eram os acompanhantes de batalha dos espartanos, de fato, os líderes do Peloponeso receberam auxílio, além dos periecos (estrangeiros), os tebanos. Como forma de dar sentido aos escritos de Heródoto, os soldados de Tebas logo desertariam da batalha. Anos depois, os tebanos, aproveitando da fragilidade da pólis Esparta, logo após a Guerra do Peloponeso, subjugariam essa área da Grécia (só perderiam força com a invasão macedônica, em 338 a.C).


Leia mais sobre Moses Finley aqui.
Leia mais sobre as Guerras Médicas aqui.
Leia aqui outras diferenças entre a adaptação de Frank Miller / Zack Snyder e os escritos de Heródoto.

15 comentários:

Evandrus Cebalho disse...

Desculpe discordar (ser erro) em termos.Pois, como deve saber; 300 é uma adaptação da obra literaria pop (quadrinhos) "300" de Frank Miller.
O trecho selecionado realmente faz esse recorte sobre a "lealdade" dos periecos, e de fato há um "lapso" histórico, porém de fato não é um erro ocasional, e sim uma como ja foi dito, uma liberdade artistica do autor da obra citada e a adaptação ao cinema de assim retratar os contos a respeito destes fatos historicos envolvendo os espartanos. Portanto, concordo que historicamente é um pequeno erro, mas cinematograficamente ou artisticamente falando Zack Snyder seguiu quase que fielmente as historias de Frank Miller ao adaptar 300 ao cinema, sua adaptação, é sem duvidas umas das melhores ja feitas sobre obras baseadas em literatura pop.
Assim são as obras a respeito de trechos históricos, é preciso entender que nem tudo é possivel adaptar ao cinema de forma literal, pois nem tudo é tão grandioso como se vê nas Telonas mundo afora.
Afinal, acho que nem Grimmal ou Finley tinham uma maquina do tempo para ir até Termópilas para ter exata noção de como era a rotina de um espartano ^_^ .
E que por fim, tomo o lado de Snyder nessa discussão.

Parabéns pelo post.

Jeniss Walker disse...

Sim, Evandrus, sua linha de raciocínio é perfeitamente compreensível, ja que estamos diante de uma livre adaptação dos escritos de Heródoto (Guerras Médicas). Finley se baseia, além desse, em relatos de Plutarco para descrever as relações sociais entre espartanos e perioikoi. Logo, em uma adaptação cinematográfica, não haveria necessidade de se seguir todo enredo ao pé da letra, de acordo com Licurgo ou fonte confiável da Grécia "negra".

O que acho joia da adaptação é que, o filme abraça os "causos" de Heródoto, ao aumentar até as últimas consequências, o estilo espartano de vida, e principalmente, o duelo Esparta X Pérsia com aqueles números gigantescos. Certamente foi o fator que garantiu a imensa audiência, até porque a história dos cines sempre provou que filmes com um apelo "patriota" sempre renderam muita grana (Coração Valente creio ser o melhor dos exemplos dos últimos 20 anos).

Abraço e obrigado pela visita :)

Bala disse...

Para mim o maior erro (não casual) foi aquela demonstração teatral de submissão masculina, quando o rei pede permissão para... ser rei, oras...
Aristóteles reclamava que era comum as mulheres mandarem nos maridos, mas ao mesmo tempo justifica isso como consequência das herenças que recebiam quando viúvas e dos dotes que davam ao futuro marido. Em outras palavras, quem tinha $$$ mandava.
E não era só isso, pois os homens eram totalmente educados para a guerra e nada mais. Portanto, cabia às mulheres receber uma educação melhor para cuidar da casa, filhos, trabalhar e cuidar dos interesses da família.
Óbvio que tanto a dependência em relação ao dote quanto a deficiência em educação não ocorreriam na condição de rei, sendo totalmente improvável aquela cena incluída para cativar o público feminino.

Thiago disse...

Outro erro forte: Eles não falavam Inglês na época. - babaquice.

Escola Santa Julia CamposNovos-SC disse...

Boas.
Ai man o 300 não é filme historico. ele é baseado numa historia em quadrinhos do Frank Miler, que se inspirou na lenda do Rei leonidas e os espartanos que aconteceu de algum modo.
Logo o filme não tem carater historico, e como é uma lenda tal como a de Jesus não temos como saber ao certo o que aconteceu.
só soube quem estava la no dia.
vlw

Tiago Barros disse...

Só um detalhe...Esse trecho do filme que vc mostrou, não fala sobre periécos. Essa parte retrata o encontro dos espartanos com outros soldados de outras cidade-estados gregas, que com a liderança de esparta puderam atrasar as forças do malvadão Xerxes, não? rç

Driigo disse...

Muito bom seu post e seu blog!

--------

entre no meu blog se quiser!

http://fdmdowns.blogspot.com

obrigado!

Professor Xandão disse...

mulheres, vcs precisam ja!!

campo obrigatório disse...

Ogro detected!

Lincoln disse...

independente de estar errado ou não..adoro esse filme....hehhehe


tá estressado?
http://sacodebregueco.blogspot.com

paulo disse...

Na persia seu clima é seco e quente... portanto xerxes usaria muitas roupas para proteger-se do sol!!!!
e no filme mostra ele com poucas vestimentas...

Honório disse...

Acho que se for para ter esse olhar você devia se concentrar no "pequeno" fato de que o rei Leônidas morre logo no inicio da peleja, e o maior drama dos espartanos está em não deixar que o exercito inimigo não consiga colocar as mãos no corpo do defunto, uma vez que a intenção deles era de profana-lo. Então ai sim começa o drama, 300 espartanos lutando para que ninguém tocasse as mãos em seu rei. E quanto: "a submissão do rei", pelo amor de Deus né? O filme todo mostra cenas onde o homem está na posição de macho dominante. Duas em especiais exemplificam bem isso: A transa do "casal real", onde o jogo de câmeras o tempo todo coloca a figura de Leônidas conduzindo a transa e num segundo momento, onde a rainha oferece o seu corpo em troca do direito de fala, novamente vemos a mulher colocada em submissão. Relaxa Jennis, a pontos muito mais questionáveis nesse filme, ou você acha que Leônidas aparece morto de braços abertos porque? ;-)

aha! disse...

Não acho que a união dos periecos foi de "boa vontade", pelo menos não no nível que você aborda. Esse trecho do filme, por exemplo, mostra que o líder está insatisfeito com a quantidade de soldados espartanos, ou seja, sente que tem o direito de exigir algo, como se houvesse um tipo de "contrato".
Além disso, se unir aos espartanos era de grande interesse dos periecos, já que aqueles eram referências na questão militar, e estes se sentiam ameaçados pelo exercito de Xerxes

H.R disse...

dude... who cares?! 300!

CWS CRIAÇÃO DE SITES disse...

THIS IH SPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARTA!!!



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