sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A Um Passo do Estrelato (20 Feet From Stardom, 2013): crítica rápida



Eis um das melhores obras cinematográficas de 2013 e provavelmente, a única que consegue olhar com atenção, carinho e respeito a um dos elementos mais importantes da música: os vocais de apoio (ou backing vocals). A Um Passo do Estrelado (20 Feet From Stardom, 2013), do diretor Morgan Neville, documentário indicado ao Oscar 2014 na categoria, capta as lembranças, sonhos e decepções de cantoras de grande talento que trabalharam ao lado de nomes consagrados da música das décadas de 1960, 1970 e 1980, como Ray Charles, Stevie Wonder, Sting, Bruce Springsteen, David Bowie, Rolling Stones, entre outros. Algumas delas, como Darlene Love e Lisa Fischer tentaram a sorte em carreira solo. A boa montagem do doc mostra a era de ouro das backing vocals, nos anos 60-70 e chega nas últimas décadas, quando esse trabalho, tão importante na composição e harmonia musical (imagem escutar What’d I Say de Ray Charles ou Young Americans de David Bowie sem os vocais adicionais?!) foi perdendo espaço para uma nova tecnologia de mixagem de som. Independente das respostas sobre o fracasso de algumas das entrevistadas, A Um Passo do Estrelado tem qualidade por jamais desmerecer o trabalho de cantores e cantoras capazes de transformar uma música fadada a mesmice em obra de arte. Coloque A Um Passo do Estrelato na sua galeria dos melhores documentários-musicais do cinema.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Game of Thrones - quarta temporada: trailer legendado da série da HBO



Abaixo, deixo um trailer legendado da quarta temporada de Game of Thrones. A série retornará a HBO em 6 de abril de 2014:

(via Omelete).

Ela (Her, 2013): crítica rápida



Em um futuro não tão distante, computadores e outros itens tecnológicos se desenvolveram a um ponto espetacular. A interação entre humanos e máquinas trouxe benefícios e deixou a vida bem menos trabalhosa. Teclados e joysticks não existem: os comandos são executados com base na leitura de voz e movimentos corporais. A novidade mais recente é um Sistema Operacional capaz de atender e compreender os desejos do proprietário. Theodore (Joaquim Phoenix) se interessa pelo produto. Após uma configuração rápida, começa a interagir com Samantha (voz de Scarlett Johansson). O jeito simpático, intuitivo e prestativo de Samantha cativa Theodore, recém-separado, solitário e amargurado. Logo, os dois iniciam um namoro (?!), com direito a conversas na praia, juras de amor e até sexo! Mas com o passar do tempo, Samantha, cada vez mais curiosa acerca dos sentimentos humanos, conhecerá outros SOs pela rede e a relação dos dois começa a azedar. Theodore não é o único a ter uma ligação forte com a amiga. No local onde mora e trabalha (ele escreve cartões típicos de namorados e casais longevos), várias pessoas também se apaixonam pelos seus “confidentes”. Essa é a trama do excelente e fascinante Ela (Her, 2013), escrito e dirigido por Spike Jonze, vencedor do Globo de Ouro 2014 de melhor roteiro. É verdade, na história do cinema, não faltam exemplos ótimos sobre a ligação entre seres humanos e máquinas com um poder de independência e inteligência latentes. Mais precisamente, de uns 300 anos para cá, desde as primeiras Revoluçoes Industriais, a importância dessas “inteligências artificiais” na nossa vida tem crescido, melhorado e até assustado homens e mulheres ao longo do devir humano. As investidas das artes na tentativa de explicar essa relação elucidam e trazem mais perguntas ao assunto. Após ver a fita, alguns de vocês, cinéfilos, pensarão sobre o papel e a importância das máquinas no cotidiano. Pensarão sobre a luta de homens e mulheres para escapar da solidão e os meios para eliminar isso. Pensarão sobre como a tecnologia, no século XXI, mudou a maneira das pessoas se relacionarem e viver em sociedade. E claro, pensarão sobre outras linhas de raciocínio presentes no enredo divertido, onde comédia-romântica, existencialismo e ficção-científica se misturam. O elenco é formidável, com destaque para a trilha sonora composta pelo Arcade Fire e claro, para o casal Phoenix (sempre excelente)/Johansson (pra mim, a melhor atuação dela até o momento, mesmo que ela não apareça em carne-e-osso) e Amy Adams, interpretando a colega Amy e também, encantada pelo seu SO. Vejam Ela. Divirtam-se com Ela. Pensem sobre Ela.

domingo, 12 de janeiro de 2014

O Grande Heroi (Lone Survivor, 2013): crítica rápida



Cara, não fosse pelos 25 minutos finais de O Grande Heroi (Lone Survivor, 2013), minha nota para o filme teria ficado bem menor. É verdade, aquele clima patriótico,  mesmo com um disfarce esforçado (aqui o válido é a força da amizade e do trabalho em equipe e não o amor à pátria e a luta pela liberdade de outros povos), é visível. O filme de Peter Berg (Bem-Vindo a Selva, 2003) reencena uma operação fracassada das forças militares dos EUA no Afeganistão. O foco são 4 militares SEALs – espécie de melhor dos melhores da marinha –, encurralados numa região montanhosa do país (Mark Wahlberg, Taylor Kitsch, Emile Hirsch e Bem Foster interpretam). As cenas de ação são boas (o treinamento pesado dos SEALs de nada serve no terreno pedregoso, onde afegãos dão um baile de agilidade nos fortões americanos) e a maquiagem é o ponto alto do visual. Mas aí ganha destaque na fita a atuação de afegãos anti-talibãs. Poderia escrever bastante sobre esse grupo e a importância deles no cenário conturbado do Afeganistão pós-União Soviética e pós-regime talibã. De qualquer forma, o filme ganha minha simpatia pela menção a eles. Recomendo uma conferida a esse O Grande Heroi, indicado ao SAG de melhor elenco.